domingo, 22 de maio de 2011

SOL QUE ILUMINA A MINHA VIDA - PARTE 2

Tenho medo, agora tenho medo de ser muito amiga de alguém, mesmo tendo amigas que também são irmãs. Fiquei, durante um tempo, comparando minhas amigas com a SOL. Que coisa terrível, eu sei. Terrível. Fiquei com raiva por sentir que elas não me entendiam como a SOL entendia. Morro de saudade, pois éramos inseparáveis mesmo sem nos encontrarmos o tempo todo e nos completavamos de maneira muito peculiar. A SOL sabia de tudo sobre mim. Sabia até se o meu namorado era o homem da minha vida. Sabia e torcia para que eu ficasse com aquele, aquele lá que sei muito bem quem é e com quem ela até tramava contra mim, na esperança de que de ficassemos juntos finalmente. Hoje sei de tudo isso e morro de rir, porque acho mesmo que ela tinha razão em muitas coisas. A verdade é que a SOL era tão alegre quanto triste. Ela estava sempre sorrindo, mesmo com um problemão nas costas, mas bastava que eu perguntasse o que havia acontecido umas duas ou três vezes para ela se acabar no choro. Mas era sempre um choro breve. Os choros mais demorados eram por telefone, quando ela havia brigado com o namorado. A SOL era uma menina e uma mulher ao mesmo tempo. Sentia medo de coisas pequenas, não comia feijão preto, nem tomava café, adorava uma sukita com um pacote de biscoito traquinas, dançava funk sozinha em casa, adorava um forró, ficava horas escutando Trio da Huana, se acabava numa "língua de sogra" (aquele pão doce com coco por cima), queria que tudo fosse do jeitinho que ela queria, ficava com raiva caso se sentisse ignorada, mas sempre, sempre perdoava tudo e todos com uma facilidade tremenda, com uma facilidade invejável. Era só chegar com um pedido de desculpas ou nem isso. Bastava um sorriso que significava "me desculpa". Ela podia ser louca pelo tal carinha que mesmo assim jamais dizia um não para um convite para a farra. Ela podia sofrer depois, como sofria, mas, se quisesse, ficava, sim, com o "doidinho" que achou uma gracinha pensando que assim conseguiria esquecer o amado ou mesmo parecer dura, difícil, menos fácil para ele. rs A SOL gostava de viver e aproveitar muito bem cada momento. Só depois que ela morreu que consegui entender por que motivo ela sempre acabava fazendo algo do qual depois poderia se arrepender. A verdade é que ela preferia fazer o que queria, mesmo sabendo que podia sofrer, porque sofreria muito mais ao pensar que deveria ter feito e não fez. Impulsiva, emotiva, alegre, forte, educada, inteligente, amiga, compreensiva, verdadeira, pura, ingênua, esperta, carinhosa. A SOL era fiel, a amiga mais fiel. Ela era fiel, mas um dia, num dia qualquer, resolvia descontar as traições, as muitas traições do então namorado, por exemplo. Amava loucamente a família. Tinha o pai como um heroi. Vivia brigando com a mãe, mas sabia que isso era só um momento que logo passaria. Bastava que ela conseguisse ignorar certas coisas e agir da maneira mais correta possível. O amor que ela sentia pelo pai, eu sinto pela minha mãe; as brigas que ela tinha com a mãe, tenho com o meu pai. Mas, no fundo, ela só queria paz e a família era a coisa mais importante. A SOL tinha pressa em viver. Ela queria tudo, ao mesmo tempo, com total intensidade e amor. Adorava crianças. Queria ser mãe um dia. Não podia. Era ciumenta. Se apaixonava pelos mais difíceis e acreditava que o tal sem vergonha um dia mudaria, mesmo sabendo que isso não aconteceria. Aquele coração era imenso, generoso, amável, lindo. A SOL era linda, por dentro e por fora.

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