terça-feira, 28 de abril de 2009

Saudades

Fico pensando que sempre será assim: vou conhecer novas pessoas, firmar amizades e logo em seguida irei para outro lugar. Agora, na minha cabeça, esta mudança funciona de maneira madura e sensata. Consigo pensa que a vida é mesmo assim. É necessário estar em um lugar somente até certo tempo. E depois não devo estar mais no mesmo lugar. Isso ensina. Mas, ao mesmo tempo, deixa saudades e lembranças que machucam.
Lembro do tempo de criança. Não lembro tudo que deveria lembrar, mas, sinceramente, não devo ter muitas coisas para lembrar. As coisas sempre acontecem de uma hora para outra comigo. Um dia estou em um trabalho, dia seguinte já estou em outro.
Quando sinto que devo ficar triste por alguma coisa, vem um novo acontecimento e me faz esquecer a tristeza que deveria sentir. As coisas vão passando por cima das outras, e no final, vejo que aprendi muita coisa.
No fundo, adoro todas as mudanças que acontecem de uma hora para outra. Mas fico, durante muito tempo, com saudade dos amigos que fiz e que agora não mais verei. Até do chefe vaidoso que somente quer a minha presença no trabalho e não pretende saber do meu potencial e esforço.
Os amigos que antes eram tão presentes hoje não são mais. Exceto alguns poucos que fazem de tudo para continuar próximos a mim. Em relação aos amigos, posso dizer que os verdadeiros continuam em minha vida até hoje. Mas nunca, nunca do mesmo jeito que um dia foram.
Nada será do jeito que hoje é. Isso é a mais pura verdade. Todo mundo tem certas atitudes, defeitos, pensamentos, qualidades. Acho que em mim, sobraram poucas qualidade e defeitos. Quase tudo mudou. Continuo com defeitos, claro, qualidade também, mas diante de tantas mudanças, nem sei mais o que sobrou.
Sinto saudades de algumas pessoas, momentos, trabalhos. Mas adoro os novos amigos, trabalho...
É uma saudade que ocasiona outras mudanças.

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Maiores venenos!

A insegurança, assim como a desconfiança, é um dos maiores venenos que existem. Eles podem nos levar a mudar de pensamento e atitude.
A falta de posicionamento, às vezes, pode ocasionar na escolha de viver a vida do outro primeiro, para depois viver a própria vida.
Felicidade não é sempre abrir mão do que se quer e pensa em prol do outro. Além do mais,
felicidade demais acaba se tornando um enorme tédio.
Infelicidade, às vezes, é consequência de muita dedicação ao outro e pouca atenção ao próprio equilibrio emocional.
Egoísmo, assim como a autoafirmação, é uma escolha corajosa e perigosa. Não consigo ser assim.
No entanto, não acreditar na capacidade que se pode ter é uma verdadeira burrice.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Impossibilidades sentimentais

Acordei pensando em você e começei a escrever no ar a palavra amor. Daquele jeito que sempre faço. Começo a escrever com o dedo em qualquer lugar que esteja ao meu alcançe. Como não tinha nada (o chão, sua perna, seu braço ou a madeira da cama), escrevi no ar. É um pena que o ar e o tempo apaguem as palavras. Até porque, quando elas finalmente conseguem, de maneira básica e direta, dizer aquilo que qualquer um é capaz de entender e absorver, elas resolvem se apagar.
É como se fosse assim com tudo na vida. Quando encontro o ponto, o lugar, quando resolvo o que precisava resolver, essas questões se apagam e outras aparecem no lugar. Quando o problema não é o amor exagerado, é a falta de amor.
Sim, sou muito contraditória. Como consigo dizer que não acredito no amor e agora estou aqui falando de amor? Cobrando que você coloque a palavra "amor" na carta que me escreveu. Isso não é assim tão fácil. Principalmente para você que morre de medo de dizer o que sente e até mesmo de sentir o que pode sentir.
Então, me tranco no meu medo e abuso do meu direito de não acreditar nas pessoas. Estou certa. Como vou acreditar no que uma pessoa me diz? E por que não acreditar, se é possível que eu sinta um sentimento verdadeiro? Então tudo é possível. Até mesmo você conseguir escrever profundamente sobre sentimentos.
No final da carta você dizia "com AMOR", mas será que você quis dizer que ela foi escrita com carinho, amor, dedicação, com amor à escrita e até mesmo àquilo que me escrevia, ou a carta foi escrita com amor por mim? Difícil saber. Mas sei que também tenho essa incompetência, impossibilidade, vergonha, medo, ou sei lá o quê.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Já estava escrito

Agora que finalmente consegui assistir "Quem quer ser um milionário" de Danny Boyle, compreendo porque o filme ganhou o Oscar.
Ele é envolvente, inteligente, possui um clima adorável de ingenuidade por parte das crianças que atuam no filme e por mais que já saibamos que o ator principal [Jamal Malik] será o ganhador de uma boa grana, o filme é surpreendente a cada minuto.
Tudo bem que a trama não foi diferente da maioria dos filmes onde o mocinho termina feliz no final. Mas acho que ele não se deu tão bem assim. A menina (Latika, eu acho) por quem ele era apaixonado não merecia o amor dele. Ela, sinceramente, só deu furo com ele. Não consigo entender por que ele correu tanto atrás dela.
Detalhe que o irmão de Jamal, já no final do filme, resolveu virar bonzinho. Até parece. O cara apronta com o próprio irmão o filme inteiro e no final resolve ajudá-lo? Que conversa fiada. Por causa de uma crise existencial, terá sido isso? Então agora é assim? O que vale é o final, e não o desenrolar da trama?
Tirando esses pormenores o filme mereceu perfeitamente o premio que ganhou. Adorei.

Discursos sociais

Ao assistir (novamente) Pulp Fiction, de Quentin Tarantino, prestei atenção na conversa de Mia (Uma Thurman) e Vincent (John Travolta). Eles falavam sobre uma coisa que sempre pensei: estamos sempre falando imbecilidades por medo do silêncio; o silêncio é capaz de causar mais revolta ou reflexão do que mil palavras.
Às vezes, em uma roda de estranhos, precisamos falar sem parar para não parecer chato ou antissocial. Mesmo sem assunto é necessário falar, falar e falar.
Tenho medo do silêncio. Odeio silêncio. Prefiro pessoas que falam muito.
Infelizmente, não sei se as pessoas que falam muito fazem isso por gostarem e por odiarem o silêncio, assim como eu, ou simplesmente por medo do que as pessoas podem pensar a respeito.
Não existe coisa pior do que você conhecer uma pessoa que simplesmente não sabe conversar, que não abre a boca nem mesmo para bocejar. É muito ruim. Mas será mesmo necessário se falar besteiras, inutilidades, futilidades, somente para atender as expectativas de quem pode estar sentado na mesma mesa que você?

segunda-feira, 30 de março de 2009

As [sem] palavras [des]necessárias

As palavras nunca conseguem suprir a vontade que tenho de falar. Elas apenas podem rodear o que estou pensando; em determinados momentos dizem aquilo que não consigo explicar; em outros, me surpreendem com pensamentos que nem sabia que tinha. Mas nunca conseguem ser enérgicas a ponto de substituir um olhar, afago, beijo, abraço, ou, até mesmo, uma lágrima, ou careta de raiva.
Alguns, como o escritor tcheco Milan Kundera escrevem aquilo que afirma ou completa o meu pensamento, e por isso, estou adorando ler A Insustentável Leveza do Ser. Acho que Kundera é um escritor que está muito próximo de mim. Ele consegue escrever aquilo que penso, de maneira fácil e completa. Para isso, ele não precisa usar palavras complicadas.
Acontece que estou sempre depositando nas palavras a explicação para os meus questionamentos diários. Estou sempre imaginando qual será a palavra correta que conseguirá englobar tudo o que desejo que o outro saiba. É um enorme peso não se conseguir, através das palavras, explicar todas as nossas agonias, sentimentos, raivas, dúvidas. Quantas dúvidas.
Fico pensando se um "eu te amo" consegue suprir a vontade que temos de ter alguém ao nosso lado, de sentir o que sentimos, de querer o amor. Acho que não.
O fato é que existem muitas coisas além das palavras, que por mais que eu tente explicá-las para vocês não conseguirei, pois elas somente comprovam a incompletude (se é que esta palavra existe) das palavras.

Somos imperfeitos e isso nos completa!

Hoje, vou usar este espaço para falar sobre aquilo que é, e não sobre o que gostaria que fosse. Tenho uma mania feia de sempre querer somente o que quero, e não saber avaliar nem dar valor àquilo que realmente é.
Ao invés de usar palavras grosseiras, prefiro usar palavras amorosas. Mas não faço sempre assim, e nem sempre pensei assim.
Ando praticando bastante minha paciência. Coisa que nunca tive.
Agora consigo entender, pelo menos mais do que antes, que existem coisas boas naquilo que, inicialmente, foi vontade de outra pessoa. Mas me diga que tenho que ceder para ver a minha reação.
Adoro falar sobre as imperfeições. Adoro falar que fulano está errado e eu estou certa. O problema é quando me dizem que eu estou errada e tenho que aceitar.
Estou sempre com as melhores palavras para as amigas que estão com problemas. Mas quando o problema é meu, sempre faço tudo errado.
Odeio julgamentos antecipados. Mas estou sempre desconfiando de tudo e todos. E sempre acho que fulano não é bom o suficiente para ser meu amigo.
Responsabilidade e trabalho são duas coisas que me deixam completamente extasiada, mas choro quando estou muito cansada, e quase sempre digo que queria voltar a ser criança, que não existe coisa melhor.
Falo coisas que não consigo fazer. Faço coisas que normalmente não faço, mesmo odiando tudo isso.
O fato é que antes não aceitaria isso assim tão fácil. Agora, consigo compreender que mudo de ideia e que não sou perfeita. Sou imperfeita, e por isso, devo apenas aceitar as minhas contradiçoes.
Até porque, tem um gostinho muito bom nesta história de felicidade de tristeza.
Mesmo adorando a felicidade, também consigo tirar proveito dos momentos ruins. Eles me ensinam bastante.

sexta-feira, 13 de março de 2009

Falsidade ou sociabilidade

Meu pai, em mais um dos seus vários momentos de raiva da vida, me disse que devemos ser falsos quase o tempo todo. Que não podemos ser verdadeiros com tudo e todos. Engraçado que por mais que não tenha concordado na hora, hoje, não consigo ser grossa nem mesmo com quem não suporto. Isso é muito complicado, porque passei a ser falsa também: acabo sorrindo para quem não gosto e volto para casa com raiva de mim. Estou lutando contra isso. E como estou.

quinta-feira, 12 de março de 2009

Aos amigos

Não se preocupem com o silêncio que se mostra inevitável, isso passa. Falar, às vezes, desgasta, cansa e nada resolve. Falar muito pode apenas impor o que o outro deseja.
Não se apeguem aos pensamentos que parecem tomar conta de tudo: eles se vão, e outros aparecem para retomar a "sangria desatada" que é pensar, que é viver.
Não se entristeçam com os pormenores, com picuinhas, mentiras, desavenças: isso apenas prova que viver não é e nunca será fácil.
Não tenham raiva dos problemas que acabam em primeiro plano: eles se resolverão, e outros ocuparão o lugar "não desejado".
Preocupem-se apenas em manter aqueles bons e velhos amigos. Até porque, é também pela existência dos amigos que independente do que venha a acontecer, estarei sempre firme e forte.
Bastante sacudida, é claro, mas firme e forte. É isso que importa.
Queiram apenas saber que junto com o crescimento e o tempo da amizade, desenvolve-se a compreensão. As pessoas mudam de ideia, acabam fazendo o que juraram nunca fazer. Mas amizade é mesmo isso, lealdade é isso: apesar de tudo, de todas as diferenças e mudanças você ainda gosta e tem consideração.

quarta-feira, 11 de março de 2009

Alegria, alegria

*É aquela que faz falta quando passa muito tempo sem aparecer
*É aquela que pode deixar um maluco ainda mais maluco
*É aquela que procuramos enquanto todo o resto acontece
*É aquela que não identificamos enquanto a procuramos em outras coisas
*É aquele sentimento que incomoda os outros
*É aquilo que se torna superficial quando o procuramos por fingimento
*É aquilo que devemos sentir diante das tristezas
*É aquilo que nem sempre acontece
*É aquilo que às vezes acontece
*É aquilo que alguns nunca saberão o que é